Redes sociais e os novos paradigmas da comunicação

Ian Castro
Mídias Sociais
17 de junho de 2013
2 Comentários

Colaboração de:

Carolina Lima

Carolina Lima é jornalista e mestranda em Comunicação pela UFJF.

“Pontes de diálogo”, “redes interativas”, “meio para interações e conexões”, são muitas as definições para as mídias sociais. Com 42,2% da população com acesso à internet em que cada usuário passa em média quase 10 horas por mês em sites de redes sociais, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking dos países mais conectados do mundo. Talvez isso seja explicado pela característica do brasileiro, de ser um povo comunicativo, adepto das novidades e de uma maior sociabilidade, mesmo que mediada pelo computador. Quando pensamos na avalanche de mudanças que essas novas mídias causaram na nossa forma de nos relacionar com as pessoas, nos entreter e consumir informação o mais espantoso é perceber que estamos falando de ferramentas que surgiram há menos de 10 anos como o Facebook e o Twitter. Por meio das redes, além de uma comunicação em tempo real com nossos amigos e conhecidos, existe a possibilidade de participação em grupos baseados em preferências, além da vantagem do acesso rápido a informações e notícias e, o principal, a possibilidade que temos de nós mesmos sermos produtores ativos de conhecimento. Essa talvez tenha sido a maior contribuição das redes para a nossa sociedade, porque rompeu com o tradicional monopólio dos meios tradicionais de comunicação de massa como jornais, rádios e televisão.

Hoje, com a segunda geração da internet chamada de web 2.0 cada um pode publicar notícias, textos, músicas e vídeos na rede fazendo circular ideias, compartilhando opiniões sobre produtos e serviços ou utilizando o potencial das mídias sociais – aqui incluindo os blogs – para discussões políticas que envolvam o aspecto da participação cidadã. Cada uma dessas possibilidades é discutível e deve ser olhada mais a fundo e o primeiro ponto que quero levantar se trata da originalidade das ideias na rede. Não sei se existem levantamentos estatísticos, mas se começarmos a perceber, a grande maioria do que circula nas redes sociais são ideias não-originais, retiradas da orelha de um livro, das frases pescadas em outros perfis, das pesquisas em ferramentas de busca como o Google, de uma poesia de um autor que não se sabe o nome. É, porque quem copia não dá o crédito. Não que isso seja uma ruim, é característica própria da rede que permite apropriações, recriações e reinvenções. Então nos perguntamos se as ideias originais chegaram ao fim e se a cibercultura, a que estamos expostos, predispõe somente a esse pensamento recriado, remontado, refeito?

Sobre o compartilhamento de opiniões sobre produtos e serviços nas redes, o crucial é entender que esse processo tirou das empresas o monopólio de falarem de suas marcas. Agora, o que as pessoas conversam sobre essas marcas nas suas redes de relacionamento virtuais assume importância cada vez maior. Por isso o investimento de muitas empresas, sejam grandes, médias ou pequenas, no marketing digital com campanhas virais e buzz marketing. Essa tendência é como uma onda, que vai assumindo proporções tsunâmicas e agregando cada vez mais adeptos. Isso quer dizer que as empresas que estão fora das redes sociais perdem uma grande chance de relacionamento com o cliente? Sim, perdem a oportunidade de se fazerem lembradas e de ganharem não somente um consumidor de seus produtos, mas um “apaixonado” pela sua marca que vai sempre retornar para comprar e indicá-la a outros amigos.

O último aspecto que quero abordar trata do uso das redes sociais para fins de cidadania e fortalecimento da democracia. Já de saída existe um ponto muito positivo, uma vez que a mídia de massa perdeu sua predominância como detentora do poder de fala na sociedade. Através de sites, blogs, redes sociais como Facebook, Twitter, Orkut e Youtube cada um pode se expressar. E ser ouvido. Por poucos ou por muitos, depende da quantidade de seguidores que ele tiver. Mas, afinal, o que de bom tem nisso? Só de mais pessoas poderem falar, criticar, expor seus pontos de vistas sobre governos, políticos, instituições e programas possibilita que outras formas de pensar possam ser, ao menos, considerados. E, o melhor, que outros enquadramentos e novas visões de mundo possam emergir não de uma perspectiva vertical, mas sob uma ótica horizontal em que todos falam e todos escutam. Pelo menos, em tese, assim deveria ser a postura de cidadãos em um ambiente democrático. Mas, o que muitos questionam, com toda razão, é até que ponto a participação política não fica restrita a atos isolados e desconectados da realidade? Outro questionamento é até que ponto as mobilizações virtuais não eximem aqueles que delas participam de sair do conforto do lar para assumir uma postura mais ativa na própria sociedade? Como vimos, são muitas as questões ainda por responder acerca desse universo das redes sociais, o que sugere que talvez ainda uma nova geração web 3.0 precise ser criada para dar conta de tantas incógnitas.

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2 Responses to “Redes sociais e os novos paradigmas da comunicação”

  1. Carolina Lima disse:

    Ficou muito legal, valeu! Adorei contribuir com o site, vou retornar mais vezes e mandar mais artigos quando tiver! Obrigada.

  2. Ian Castro disse:

    Obrigado a você, Carolina, pelo ótimo artigo!
    Retorne e você será muito bem-vinda, pode ter certeza!

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