Aqui estão reunidos ensaios e artigos científicos de Ian Castro. As temáticas abordadas são relacionadas à comunicação, publicidade e marketing digital, passando por marketing em redes e mídias sociais, mobile marketing, além de reflexões sobre a cultura e as novas tecnologias em geral.
Índice
Artigos científicos
Ensaios
- Marketing Digital: Crossmedia e Marketing de Experiência
- O paradigma da textualidade nas interfaces contemporâneas
- O iMac: publicidade, consumo e construção identitária
- Mobile: internet, design e marketing
- Tendências do Mobile Marketing/Advertising
- Contemporaneidade: as novas tecnologias enquanto constituintes culturais
- Sobre o isolamento da interatividade e outras reflexões afins
- A síndrome do déficit de atenção e as interfaces gráficas
- A Era do Mobile Marketing: Cadê o Up da publicidade nos dispositivos móveis?
Resumos
Artigos científicos
Branded Apps: uma introdução sobre publicidade em aplicativos móveis patrocinados
O artigo, apresentado no GT de Publicidade e Tendências do I PRÓ-PESQ PP – Encontro Nacional de Pesquisadores em Publicidade e Propaganda da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, traz uma rápida reflexão teórica sobre o uso dos aplicativos móveis em estratégias de mobile marketing e suas possibilidades para além da função de mídia. Ele é o início do meu Trabalho de Conclusão de Curso, para a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.
Como sabemos, há vários modelos de interação no mobile marketing, cada qual com seus mecanismos, mecânicas e, principalmente, objetivos. No trabalho, destaco os aplicativos móveis patrocinados (branded apps), pois acredito que eles podem aumentar experiências do público-alvo e, conseqüentemente, seu engajamento com a marca. Branded Apps são bons exemplos de que é possível aprimorar o uso dos DHMCM pela publicidade e gerar produtos de comunicação que cumpram sua função publicitária e estratégica ao proporcionar ao usuário o aperfeiçoamento de práticas que ele já possui com esses dispositivos – e, simultaneamente, uma brand experience.
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Ensaios
Marketing Digital: Crossmedia e Marketing de Experiência
Uma boa estratégia online é aquela que não fica só online. Isso é crossmedia – que é muito mais fácil de falar do que de fazer. Mas, fácil ou difícil, é fato que crossmedia gera resultados. Já foram citados aqui casos notáveis de estratégias publicitárias crossmedia, mas a Starbucks foi além do conceito de crossmedia que estamos acostumados.
Todos que conhecem a rede de cafeteria Starbucks sabem que todas as suas lojas oferecem acesso gratuito a internet via Wi-Fi. Esta foi uma boa idéia, porém uma idéia melhor ainda é oferecer conteúdo premium exclusiva e gratuitamente para seus clientes – e é isso que a Starbucks vai fazer. A Starbucks Digital Network revelou recentemente que irá disponibilizar gratuitamente conteúdos de empresas como a Apple, (jornal) The New York Times e (editora) Rodale.
E o que esta iniciativa tem de tão especial? Nada, ela apenas consegue atingir um nível na qual muitas (similares) falham: o de proporcionar uma experiência diferenciada ao consumidor, reconfigurando práticas intrínsecas ao espaço físico e relacionando-o diretamente com o contexto no qual está inserido.
O paradigma da textualidade nas interfaces contemporâneas
Qual é o grande diferencial da interface de linha de comando para a interface gráfica? Talvez a sua resposta, proveniente do primeiro estímulo, seria a mais óbvia o possível: a acessibilidade das linguagens visuais. Em primeira instância, podemos considerar esta resposta como adequada. Desde que Douglas Engelbart nos apresentou as graphical user interfaces (GUIs, ou, em bom português, interfaces gráficas de usuário), em 1968, este é o principal argumento em seu favor. É irrefutável que a espacialidade e tangibilidade que as GUIs trazem à informação (e a sua organização, em geral) dotam os sistemas operacionais de uma intuitividade incrível. Porém, devemos pensar um pouco mais nesta resposta tão simplória.
O iMac: publicidade, consumo e construção identitária
Nestas últimas semanas apresentei um trabalho, bastante conturbado, sobre algumas das peças da campanha Think Different. O trabalho me exauriu (e, ainda assim, não ficou do jeito que eu esperava), mas não importa o quanto eu estude ou analise a campanha eu continuo a admirá-la.
Não. Diferente de milhões de fanboys, eu não a admiro simplesmente porque é uma campanha da Apple, mas porque a campanha “brinca” de forma fantástica conosco, com nossos valores (socialmente ratificados e vigentes, inclusive na época em que ela foi veiculada) para vender computadores. O manifesto Think Different é um texto sensacional… que vende computadores. Mas assim como ele serviu para vender computadores, ele teria vendido aviões, máquinas de lavar, bambolês, canetas, biscoitos, chicletes, enfim, qualquer coisa. Porque? Porque a campanha não vende computadores: ela vende identidades.
Mobile: internet, design e marketing
A mobile internet é a mesma internet que nós conhecemos? Não, não é.
A mobile internet (vulgo internet móvel, em bom português) tem um diferencial que pode (e vai) alterar completamente a sua utilização: a portabilidade.
Nossos aparelhos celulares, principais dispositivos de acesso à internet em um futuro próximo (segundo previsões), não são computadores, apesar de concentrarem várias de suas funções. Vamos às diferenças mais básicas: computadores possuem telas e teclados grandes, acompanhados de conexão rápida (e estável) à internet – o que, segundo John Pettengill, designer de interação da Razorfish, dá lugar a uma internet “desleixada”, ou seja, sem maiores preocupação com o caráter sintético de seu conteúdo ou até mesmo da atenção do usuário – já os telefones celulares são exatamente o oposto, têm telas e teclados pequenos (ou minúsculos) e a conexão não possui um nível elevado de qualidade – o que não deixa brechas para desleixos, a informação tem que ser passada de forma objetiva e atraente, ainda que, para isso, os processos comunicacionais sejam simplificados ao máximo.
Tendências do Mobile Marketing/Advertising
Se o ápice da convergência midiática é hoje a internet amanhã será a internet móvel.
Há quem diga que, com uma base mundial de dispositivos móveis de aproximadamente 4 bilhões e o incrível avanço (tanto na velocidade quanto na qualidade) das redes telemáticas (e seus diversos “Gs”), é meramente uma questão de tempo até “conectar-se à internet” tornar-se sinônimo de “utilizar um celular“. Eu, particularmente, tenho minhas dúvidas – por uma série de motivos que não cabem ser agora discutidos -, mas tenho que reconhecer que há verdade neste pensamento e o “efeito iPhone“, nos Estados Unidos da América, mostrou perfeitamente onde se encontra esta verdade.
Contemporaneidade: as novas tecnologias enquanto constituintes culturais
“Em frente ao computador não estamos mais somente diante de uma máquina, mas, sim, em uma relação com uma ‘tecnicidade’ diferenciadora, distinta de todas as anteriores, pela qual se torna possível uma vinculação direta entre informação e cérebro, e independentemente de si, a linguagem é sonora, visual, escrita ou multimídia.”
Não, essa belíssima frase não é minha. Ela pertence à Guilhermo Orosco Goméz, um dos muitos pensadores que se ariscam pelas searas da cibercultura e da compreensão do mundo contemporâneo.
Nestes últimos dias estive alucinado, fazendo uma resenha para uma matéria da faculdade, e terminei sendo obrigado a refletir um pouco mais sobre as relações técnicas que o homem estabelece hoje, principalmente com as novas tecnologias (os meios digitais e eletrônicos). Bem, mesmo que o trabalho não tenha ficado tão bom quanto eu esperava, acho válido falar um pouco sobre ele e minhas incursões no assunto.
Sobre o isolamento da interatividade e outras reflexões afins
Aviso aos leitores: É de suma importância deixa claro que este é um artigo extremamente opinativo, cujo “axismo” e a referenciação científica se colocam (erroneamente) no mesmo patamar. Pois bem, se ainda assim prosseguir com a leitura, posso retrucar qualquer objeção dizendo simplesmente: “eu lhe avisei…”
Bem, neste breve ensaio – se posso chamá-lo assim – pretendo dissertar um pouco sobre a influência que o ambiente digital de comunicação exerce sobre a sociabilidade humana – mais especificamente, sobre a conversa. Mas, antes de abordagem o assunto em si, gostaria de esclarecer um pouco a escolha de um recorte tão específico para um tema tão geral como “minha relação com a tecnologia” – definido pelo professor da matéria à qual este texto se apresenta como instrumento avaliação parcial.
Primeiramente se faz necessário ressaltar que não sou contra (nem mantenho uma postura conservadora quanto) a proliferação dos meios digitais e dos modos como são apropriados – na verdade, sou um entusiasta desse fenômeno de (quase) simbiose, que tantos escritores de ficção científica representam de forma tão grotesca e temerosa.
A síndrome do déficit de atenção e as interfaces gráficas
A linha de computadores Macintosh, da então Apple Computer Inc., marcou a década de 80 com a introdução de um ambiente computacional predominantemente intuitivo e amigável aos leigos. O Mac OS, sistema operacional dessas máquinas, possuía a primeira interface gráfica, ou GUI (do inglês, Graphical User Interface), da história; uma interface na qual as complexas linhas de comando (escritas) foram substituídas por representações gráficas e iconográficas que, quando acionadas, realizavam as mesmas ações que estes comandos. Este foi, indubitavelmente, um rompimento na dita era da informação; o período “pós-janelas”, na nomenclatura de Steven Johnson, modificou não só a dinâmica da própria ciência da informação, mas alterou (ou expandiu, se preferir) as possibilidades de interação desta com todas as outras áreas do conhecimento.
A Era do Mobile Marketing: Cadê o Up da publicidade nos dispositivos móveis?
O impacto que o desenvolvimento tecnológico causa na comunicação pode ser caracterizado, no mínimo, como traumático. As possibilidades de um mundo (interconectado) aberto e interativo é um divisor de águas que demarca a passagem de uma era baseada na massificação para uma nova realidade cuja a perspectiva da individualização se mostra bem mais interessante. Para a publicidade, essa proliferação dos meios e das formas de comunicar se torna quase caótica: no dito “horário nobre” a televisão já não mais concentra plenamente a atenção dos lares brasileiros e muito menos para-se para ouvir rádio, senão em trânsito. Há então a questão que rouba incontáveis fios de cabelo das cabeças dos publicitários: como, efetivamente, chamar atenção?


