Agir em mídias sociais não é fazer spam
Ontem eu vi a apresentação #Eleições 2010 – O Mau Uso das Redes Sociais na Política e tive uma conversa muito interessante, apesar de rápida, com Tereza Barretto e Lucas Reis sobre algumas das estratégias utilizadas por empresas e políticos nas mídias e redes sociais.
Lembrando que Marcelo Branco esteve aqui em Salvador há pouco mais de um semana, começamos a conversar sobre a estratégia utilizada pelo PT para inserir Dilma Rousseff nas mídias e redes sociais. Vou aqui resumir a minha visão (simplificada e, talvez, até um pouco simplista) sobre o assunto. Basicamente, o PT está promovendo no ambiente online exatamente a mesma coisa que o sustentava (ou sustenta, como alguns ainda dizem) no “mundo real” (em seus tempos de glória): a militância ativa. Pelo que pude observar, a idéia é criar uma presença oficial, ainda que mínima, de Dilma nas mídias e redes sociais e reunir militantes digitais de todo o Brasil para agir em seu favor, seja divulgando informações ou defendendo a candidata quando necessário (o que me parece ser o carro chefe de toda a estratégia). É por isso que Marcelo Branco viaja por todo o Brasil, debatendo sobre “Internet e Eleições” e tentando despertar o interesse de blogueiros e tuiteiros de cada região para que eles se engajem com a campanha – alem de incentivar os petistas em geral à ingressarem nestas redes e agir também neste novo ambiente de campanha.
Eu devo admitir que nunca fui um cara muito ligado a política (e até hoje não sou), mas o (razoável) conhecimento que tenho sobre marketing e publicidade em redes sociais me permite opinar tranquilamente sobre o assunto e dizer: eu achei a idéia muito boa. E uma das razões pelas quais eu tenho esta opinião é que foi uma estratégia pensada especificamente para o PT – que, diferente de muitos outros partidos (mais antigos) do Brasil, tem a cultura de militância (ainda que seja majoritariamente offline) necessária para que ela dê certo. Convenhamos que é mais fácil “portar” esta cultura para o ambiente online do que criá-la nele. É por isto que considero esta um boa estratégia de ação em mídias sociais – e também penso que ela pode vir a ter resultados mais rápidos (e visíveis) que as demais.
Em última instância, os méritos da campanha online ficam ainda mais evidentes quando a comparamos com outras (iniciativas nada estratégicas). E aí volto à apresentação #Eleições 2010 – O Mau Uso das Redes Sociais na Política, publicada (anonimamente) no SlideShare:
Iniciativas como esta (que talvez nem possam ser chamadas de estratégias) são simplesmente medíocres. Volto a tocar num ponto que já abordei aqui antes: o vício dos marketeiros tradicionais. Grande parte destes profissionais inserem seus “produtos” nas mídias e redes sociais seguindo a mesma lógica das mídias massivas: a busca por exposição, visibilidade – e sabemos que isso deve ser uma conseqüência do trabalho feito, não o seu fim. Percebam que a idéia da “estratégia” que vimos nos slides acima é exatamente esta.
Em um texto sobre estes mesmos slides, o Ian Black resumiu muito bem o que eu penso sobre o assunto em uma frase que reproduzo integralmente aqui:
“Eu sempre ouvi muitas bobagens sobre disseminação de conteúdo em plataformas de redes sociais, seja no meio publicitário ou no político, e a minha recomendação sempre foi a cautela, principalmente porque é o tipo de coisa que um jornalista mais curioso pode perceber em pouco tempo.”
Eu só acrescentaria uma coisa, xará: não somente um jornalista curioso, mas qualquer pessoa com o mínimo de instrução em mídias sociais poderia identificar uma “estratégia” tão tosca quanto essa. E convenhamos que conhecimento e ferramentas para isso não faltam – inclusive para o Twitter, palco do ocorrido.
Vale lembrar que eu não sou contra o uso das mídias e redes sociais para disseminar conteúdo, publicitário, político ou de qualquer outro teor – muito pelo contrário, afinal este é o meu trabalho e gosto muito dele. Porém penso que isso deve ser feito de forma estratégica, maneiras que considerem tanto as necessidades do anunciantes quanto às do público-alvo – e SPAM não é nada estratégico.
Acho que ainda veremos coisas muito boas sobre mkt político nas eleições, como também veremos situações tristes, rs… Vamos nos preparar e que vença o melhor.
Abraços,
Usando o@ricardopmartins
Cara enho acompanhado seu trabalho e gosto muito, mas rasgação de seda de lado.
Usando onao era para que no nos surpreendessemos com esse tipo de atitude ja que se tratando de politica no Brasil so ha uma redundancia, CORRUPÇÃO e nas redes sociais nao poderia ser diferente.
Vinícius.
Obrigado pelo elogio, fico feliz que goste do blog.
Usando oO pior é que eu não fico surpreso com o fato do uso de fakes (que é sim uma corrupção das mídias sociais, concordo plenamente), mas da falta de visão e criatividade dos “marketeiros políticos digitais”. Há muito que pode ser feito na área, muito mesmo. Projetos interessantes, consistentes e que publicizam as propostas dos políticos – que é o que interessa ao povo. Mas, ao invés disso, investe-se uma mega-estrutura de campanha para… ficar falando do candidato com perfis falsos.
A mediocridade dos publicitários foi o que mais me supreendeu.
[...] na Internet e limites do marketing político digital – inclusive abordando questões como as que discutimos aqui anteriormente. Além dos entrevistados, há também outros colaboradores que trazem a voz da sua experiência [...]
Ler não é o bastante, comente.
Quem escreve
Ian Castro é Gerente de Operações na Salve! Digital, agência especializada em comunicação digital, estratégia online e mídias sociais. O blog Intermídias é o reflexo da sua prática profissional com comunicação digital e mídias sociais, além dos estudos que desenvolve sobre as possibilidades que o ambiente digital traz a prática publicitária. [currículo completo]
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