Tablets e revistas digitais: para além da transposição de formatos
Anos e anos de rumores e, a cada evento da Apple, as expectativas de um lançamento de um Tablet da empresa simplesmente reaparecem. Toda a comunidade da tecnologia é tomada por novos rumores, muitas vezes sem qualquer indício da veracidade, e as pessoas que acreditam. É deplorável.
Porém, a crença de uma tablet da Apple não se resume apenas aos mactards, grandes corporações também apostam na idéia. Inclusive destas apostas surgem conceitos que ainda não tinha sido cogitados (ou amadurecidos), como a idéia da tablet servir como plataforma/meio para um revival das revistas, agora como aplicativos interativos de notícias – algo que seduziu a indústria das notícias, por atualizar o seu modelo de negócios, hoje em decadência.
Não faz muito tempo que o editor-chefe do TechCrunch, Michael Arrington, um projeto de tablet denominado CrunchPad. O dispositivo é, basicamente, uma tablet touchscreen de baixo custo com foco em entretenimento. De acordo com Arrington, o CrunchPad já havia passado da fase de projeto e estava prestes a entrar em produção quando houve uma série de complicações na relação com a fabricante do produto — a Fusion Garage. Depois do projeto de Arrington, a esperança de revitalizar o mercado editorial com tablets parece ter “contaminado” outras empresas.
A Condé Nast, editora da revista Wired, não propôs um tablet, mas um conceito de um aplicativo da revista que funcionaria na famigerada (e fictícia) Tablet da Apple. O aplicativo traz o conteúdo da revista para o tablet de modo bastante tradicional, praticamente uma transposiçào de formatos – ainda que demonstre, com um gráfico interativo, algumas das possibilidades diferenciais do acesso (e da usabilidade) deste conteúdo no ambiente digital.
Hoje foi a vez da Time Inc., que apresentou um conceito de tablet, criado em parceria com a Wonderfactory, para a revista Sports Ilustrated. O projeto, apesar de ainda carregar muito do que se espera de uma Apple Tablet, avança em relação os outros apresentados, extrapolando a mera transposição de formatos. Confira o vídeo demonstrativo:
Enquanto a Condé Nast apenas deu uma prévia das possibilidades de transformar um revista em um conteúdo interativo, a Time Inc. pensou em uma forma de levar o conteúdo de uma revista aos meios digitais, comtemplando as características que lhe são próprias. No conceito, toda a revista é interativa: as possibilidades vão desde assistir vídeos e navegar em galerias de fotos até reorganizar o índice e compartilhar conteúdo via e-mail e redes sociais – entre muitas outras funcionalidades.
É algo realmente diferente.
[...] e seu fim for servir de receptáculo para o conteúdo que temos hoje em revistas, como mostram as inclinações das grandes produtoras de conteúdo editorial – logo toda esta abertura que a empresa está dando á apps deste tipo sumirá. E isto não [...]
[...] da Apple não será voltada prioritariamente para leitura (como o mercado editorial esperava, em seus últimos suspiros). Porque? Simplesmente porque a Apple está dando espaço demais na App [...]
Ler não é o bastante, comente.
Quem escreve
Ian Castro é planner / redator de mídias digitais da agência Idéia 3 e graduando em Comunicação na Universidade Federal da Bahia. O blog Intermídias é o reflexo da sua prática profissional com comunicação digital e mídias sociais, além dos estudos que desenvolve sobre as possibilidades que o ambiente digital traz a prática publicitária. [perfil completo]
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