As redes sociais e o isolamento do homem
As redes sociais podem sim aumentar o isolamento social, em detrimento de interações mediadas por mídias digitais.
Eu já falei sobre este assunto aqui diversas (e diversas) vezes antes, mas agora eu sou praticamente obrigado a tocar neste ponto de novo – justamente porque, desta vez, não fui eu quem o trouxe a tona.
Sabemos muito bem que as redes sociais (online) vieram para ficar e também sabemos a influência enorme que estes ambientes digitais de comunicação exercem sobre a sociabilidade humana – tanto positiva quanto negativamente. De acordo com uma pesquisa publicada recentemente pela Pew Internet Research, a utilização das (ditas) novas tecnologias têm contribuído de forma significativa para aumentar o isolamento social nos Estados Unidos da América.
É fácil ver o quão positivas estas redes são: temos contato com velhos amigos, conversamos on-line com colegas de trabalho de outros país; todos são muito próximos e tudo é muito fácil – talvez até demais, a ponto de banalizar um pouco as relações interpessoais (ainda que online). Porém esta pesquisa nos mostra um pouco do seu lado negativo: ajudamos aqueles que são próximos a nós cada vez menos, não sabemos nomes de vizinhos e pessoas com as quais convivemos, nossa rede de relação (físicas) cai vertiginosamente quando ainda temos 20 anos (idade considerada como auge da juventude); em resumo: distanciamos aqueles que estão perto para nos aproximar-mos daqueles que estão longe.
Apesar de haverem várias e várias variáveis e muitos pontos, apontados pela própria instituição, como frágeis ou simplemente incógnitos, a pesquisa já serve para fundamentar minimamente (junto com alguns outros) este fenômeno paradoxal que ocorre na “era das conexões”.



[...] This post was mentioned on Twitter by Tarcízio Silva, Ian Castro. Ian Castro said: #intermidias :: As redes sociais e o isolamento do homem http://bit.ly/48Y75v [...]
Ian,
Não concordo com seu ponto de vista. A pesquisa está aí, sim, e eu não duvido que ela seja fiel à verdade. A questão é a tão falada “Cauda Longa”: antes da Comunicação Mediada por Computador, as pessoas eram mais próximas fisicamente, mas eram “forçadas” – não no mau sentido – a isso, pelas condições da época, o que não significava que a afinidade era completa.
Agora, buscamos as pessoas com as quais nos identificamos, estejam perto ou longe. E essa identificação não é mais só por proximidade física ou laços sanguíneos. Como moro em cidade pequena, ainda sinto muito isso: a internet se tornou meu ponto de fuga, até porque só conheço uma pessoa na minha cidade que ouça o mesmo estilo de música que eu, e duas pessoas que trabalham e se interessam por comunicação digital. Estou bastante afastada de parentes como tios e primos, mas simplesmente por não ser mais “forçada” a conviver com pessoas com as quais não tenho afinidade, a não ser sanguínea.
Acho que isso é preocupante apenas nos casos extremos, onde é claro o diagnóstico de isolamento e fobia social.
Abs,
Usando oDiana
Diana,
Eu compreendendo o que você argumenta e concordo, mas não podemos esquecer o quão importante é o aspecto físico.
Interesses são uma coisa, mas estamos aplicando a Cauda Longa (também) para sentimentos e isso são outros quinhentos. Eu tenho que admitir que nós somos uma geração que já começa a viver melhor essa realidade, a fisicalidade das nossas relações já não é mais tão importante. Porém, em certo ponto, podemos terminar virando estranhos em nossos próprios ninhos. Não precisamos mais nascer em londres para ser londrinhos, as identidades são mais fluidas – como diria um professor meu, podemos nos isolar em nosoas quartos e consumir apenas cultura inglesa. Mas, no fim, não estamos em londres e fora dos nossos quartos vamos sofrer as consequências destes “deslocamentos”.
Outro dia li em uma reportagem que um bom número de brasileiros já havia feito sexo com alguém que conheceu online – o que eu, particularmente, acho interessante, pois (ainda) tenho uma visão romântica de amor (e sexo) pelo ser e não pelo parecer. Mas muitas vezes deixamos de buscar pessoas com quais temos afinidades em nosso entorno porque é mais cômodo, fácil e rápido fazê-lo pela internet. Pelo pouco que sei de psicologia isso pode ser perigoso pois são certos traumas sociais que controem nossas personalidades e cada vez nos poupamos destes traumas. Lembrando que a minha geração, por exemplo, já sofreu muitos destes traumas; mas me questiono sobre as mais novas.
Só esclarecendo: não estou dizendo que as redes sociais são vilãs (longe disso, nós bem sabemos) mas tou dizendo que precisamos nos atentar para suas multiplas facetas. Uma coisa não elimina a outra, podemos criar uma relação (ainda que “política”) com nossos vizinhos e manter relações (mais interessantes, com certeza) online.
E Diana, muito obrigado pelo comentário (de verdade).
Eu peço que aqueles que também não concordarem (e aqueles que concordarem) que se manifestem mesmo porque o objetivo aqui é discutir, convencer, ser convencido, enfim: aprender.
Abraço,
Ian Castro
Usando oBom, vou tentar falar do ponto de vista de uma geração que antecede a este dilema. Novas tecnologias, sobretudo àquelas vinculadas à comunicação sempre estiveram e estarão aí para o bem e para o mal. Ian e Daiana estão corretos em seus argumentos. Entretanto, as redes sociais refletem uma questão já antes incorporada no plano físico. As relações com os pares, numa sociedade globalizada mesmo antes da Internet já vinham frágeis, em linhas tênues que cada vez se rompem mais por conta dos fenômenos em volta da chamada contemporaneidade. Pressa, introspecção, disputa, competição, individualismo, isolamento. Tudo já estava por aí.
Usando oO que me ocorre é que as redes sociais contribuem muito mais positivamente, pois permitem sim, resgatar muitas relações perdidas. E estabelecer novas, aparentemente frugais e superficiais. Nem tanto.
Tudo é uma questão de disposição e afinidade, sempre.
Nao precisa nem de pesquisa para saber uqe o mundo esta mudado.Antigamente numa fila de qq especie a gente papeava.Hoje a gente tecla, ou fala no cel fone.
Antigamente solitarios, iamos ver amigos, hj temos o chat, video games.
Antigamente dentre de um impasse familiar reuiniamos e discutiamos hj a gente foge para aquele que pensam igual a gente.
facil concordar one ha certa distancia fisica, dificil e ” viver com”
Tudo ficou mais facil ate isolar-se achando que tem uma turma.
Ninguem tem mais, estamos perdidos na internet, isso ‘e fato, pq quem sai do virtual para o real, normalmente se frusta.
Estamos menos socieveis, reistimos menos a frustacoes e estamos mais cabeca dura.
Nao creio que isso seja evolucao.
Valeu o texto e a pesquisa.
Mari
Usando oEu concordo também que cada vez mais as pessoas tão trocando as emoções reais, pelas virtuais. Pelo menos aqueles que já eram pré dispostos a serem isolados, estão utilizando as tecnologias (redes sociais, etc) como um escape, consequentemente, ficando mais longe do real.
Porém a pesquisa concluiu exatamente o contrário. Nos últimos 30 anos houve pouca diferença na quantidade de pessoas considerada isolada socialmente.
No Terra eles escreveram sobre essa pesquisa. http://noticiasar.terra.com.ar/tecnologia/interna/0,,OI4086829-EI12884,00.html
Até mais.
Usando oLer não é o bastante, comente.
Quem escreve
Ian Castro é Gerente de Operações na Salve! Digital, agência especializada em comunicação digital, estratégia online e mídias sociais. O blog Intermídias é o reflexo da sua prática profissional com comunicação digital e mídias sociais, além dos estudos que desenvolve sobre as possibilidades que o ambiente digital traz a prática publicitária. [currículo completo]
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